Parece parvo, mas o meu primeiro encanto no Japão foram as fardas das raparigas da limpeza, na estação de Osaka. Muito jovens, vestidas com cores coloridas, pouco tinham que fazer. De resto, à nossa volta, tudo parecia impecável. Quanto muito havia uns jornais para recolher ou uma garrafa de plástico deixada por algum passageiro.
Tudo me pareceu imediatamente encantador. Tudo muito clean, muito bem iluminado, com cores que chamam a atenção sem ferir a vista.
A paisagem, que vimos através das janelas do comboio, era incrivelmente nova ao meu olhar. Estava do outro lado do mundo e sentia-o em cada centímetro da minha pele.
Kyoto revelou-se fascinante logo ao primeiro contacto. Para onde quer que me volte, só me apetece felicitar-me por ter vindo. É como estar a viver um sonho maior que a vida. Um filme em três dimensões.
Os templos. As flores de papel. Os cheiros, a água, as multidões de estudantes por todo o lado. Tudo é mais do que alguma vez esperei encontrar. Mais e melhor. Mais bonito e mais forte. Os meus olhos nunca me pareceram tão grandes, o meu coração raramente se sentiu tão compensado.
Em Kyoto é tudo minúsculo. As casas, os carros, as próprias pessoas. Menos os parques. Os parques são imensos, com templos e santuários lá dentro.
Na rua, apesar dos chuviscos constantes, o encantamento é permanente. Alguns peões, homens e mulheres, novos e velhos, usam máscaras de cirurgião, sem dúvida para se proteger da poluição. Ou será porque estão constipados e não nos querem pegar a doença? Como ninguém fala inglês, é impossível esclarecer o que quer que seja.
Algumas senhoras continuam a usar o tradicional quimono de seda. Gueishas? Nas costas têm sempre uma pequena almofada a que chamam «obi». Pergunto-me para que serve. A Raquel chama-me a atenção para as pernas tortas das raparigas. Mas as mulheres, qualquer que seja a sua idade, vestem-se com uma elegância que me deixa comovido.
Quando lhes dirigimos a palavra, os japoneses ficam muito atrapalhados, deveras desolados por não nos entenderem.
Também os taxis são muito elegantes, com os assentos cobertos de renda e condutores de luvas brancas. Os símbolos que os identificam como táxis sobre os tejadilhos são também engraçadíssimos. Uns ostentam um trevo, outros uma estrela ou um coração. Podem ter muitas formas e muitas cores.
Esta luz faz as árvores parecer mais bonitas, ou são as árvores que de tão bonitas fazem parecer a luz mais transparente e luminosa do que em Portugal?
Esta manhã visitámos o famoso templo das Águas, o Kiyomizu-dera, um dos mais vistados da cidade. Um dos locais privilegiados do Templo é uma varanda de madeira suspensa de onde se pode apreciar uma floresta magnífica e parte da cidade ao longe. A sua construção data de 778, quando um monge visionário encontrou uma fonte cuja água tinha virtudes curativas. Os japoneses, principalmente os adolescentes, fazem bicha para beber um pouco de água e rir uns dos outros.
De vez em quando, um grupo de estudantes faz questão de ser fotografado na nossa companhia. Sempre que lhes apontam uma máquina fotográfica, os japoneses sorriem e fazem V com os dedos. Peace and love? Vitória? Vá-se lá saber. Em todo o caso, é um tique que todos partilham.
Dia 24
Mal chegámos ao aeroporto de Osaka, fomos ao posto de turismo à procura de um hotel. Perguntaram-nos que tipo de hotel queríamos e quanto é que estávamos dispostos a pagar. Optámos por um Toyoko-Inn, que fica no centro da cidade. Custa mais ou menos o que estávamos dispostos a pagar e serve perfeitamente, apesar do quarto mínusculo mal ter espaço para a cama. Também a casa de banho é mínima, mas tem tudo o que é preciso e mais ainda, com repuxos na sanita e outros gadgets que nem sabemos para que servem. É um business hotel, como aqui lhes chamam e o atendimento é super-profissional, a cargo de meninas novas impecavelmente fardadas e perfumadas. Na recepção há prendas para dar aos hóspedes: gravatas, canetas, chaveiros e sei lá que mais. Escolhi uma «lanterna-robot» para ler no escuro, se for necessário. É um objecto curioso. Prateado, parece uma caneta, gorda e achatada. Quando se carrega num botão, desdobra-se e acende-se.
Tal como prometiam os nossos guias, a estação de comboios de Kyoto impressiona. Foi reconstruída por ocasião do 1.200º aniversário da decisão, por parte do imperador Kanmu, de aaqui instalar a capital do país em 794. Imponente, nas suas linhas futuristas, o imponente edifício abriga um hotel de luxo e uma sala de espectáculos, para além de um centro comercial.
A escada rolante parece conduzir ao céu. Lá em cima, há um terraço ajardinado de onde se pode observar a cidade.
Encantam-me as fardas das estudantes que me lembram invariavelmente o Araki. Mas encantam-me ainda mais os vestidos das monjas, com as suas blusas brancas e longas saias vermelhas. A estas vestais nipónicas chamam «miko». Antigamente, eram «as virgens do templo» e passavam por ser ou feiticeiras ou adivinhas, não percebi bem. Geralmente eram filhas dos sacerdotes e ajudavam-nos nalgumas tarefas. Hoje são principalmente voluntárias ou mesmo trabalhadoras contratadas a prazo. Infelizmente, ainda não tivemos ocasião para assistir às suas danças cerimoniais, que imagino muito sensuais.
A maioria dos japoneses consideram-se tanto xintoístas quanto budistas. Tanto quanto sei, o Xintoísmo é uma religião politeísta nativa do Japão, que passou por um processo sincrético com religiões e filosofias vindas do exterior como o Taoísmo, o Confucionismo e o Budismo.
As pessoas vão aos templos para rezar, mas também para pedir favores aos deuses. A maioria escreve os seus desejos em papelinhos que depois dobram de forma a parecer flores e decoram árvores artificiais com eles. Ao longe parecem arburstos floridos. É lindo.
O Japão é de longe o país mais civilizado do mundo. Nunca estive num local mais aprazível e sereno, onde as pessoas são um exemplo de civilidade e elegância. Quando nos dirigimos a uma pessoa para lhe pedir uma informação, chega a ser embaraçoso, pois não sabem comunicar connosco, mas querem ajudar-nos a todo o custo. Procuram genuinamente compreender-nos e sente-se que seriam capazes de tudo para nos agradar.
As casas, as ruas, os carros, está tudo irrepreensivel. Como chove, há baldes e recipientes em todo o lado para apanhar a água da chuva, como se fazia no Congo. Não que falte aqui: trata-se apenas de poupar um bem essencial. Os autoclismos, por exemplo, têm uma torneira para que lavemos as mãos na água que vai encher o depósito. É simplesmente genial.
Kyoto, que na altura se chamava Heian-kio, foi a capital do Japão entre 794 e1868 (Kyoto quer dizer cidade-capital). Hoje tem cerca de milhão e meio de habitantes e é uma das cidades mais bonitas do mundo, rodeada de florestas e fontes de água. É também a cidade do Japão que tem mais templos e santuários. E pensar que os americanos ainda ponderaram deitar aqui uma bomba atómica!
Quando era miúdo, havia uma expressão que dizia: «Vai lá for a ver se estou.» Era uma maneira de nos mandar à fava. Vim até ao Japão ver se lá estava. E não é que estou mesmo!
Dia 25
Embora Kyoto seja pelo menos tão grande como Lisboa, nunca tivemos que apanhar um transporte. Temos percorrido a cidade toda a pé e vamos continuar a fazê-lo porque é a melhor maneira de ver tudo como deve ser. Ontem à noite ainda percorremos a parte mais moderna da cidade (as grandes avenidas pejadas de lojas e restaurantes chiques), hoje de manhã passeámos ao longo dos canais, em bairros mais antigos onde há muitas casas de madeira. É lindo e bucólico. As casas parecem saídas de um conto de fadas. Por todo o lado reina uma calma infinita.
Nas nossas deambulações, passámos em frente de vários «love hotel». Já tinha lido sobre eles. Destinados aos namorados e aos amantes ocasionais, estão abertos 24 horas por dia e não têm propriamente recepção. Tudo se passa de modo anónimo e podem ser alugados à hora. Há diversos tipos de quartos, que remetem para os mais diversos imaginários e fantasias. Estamos muito tentados a ir experimentar um, um dia destes.
Ao fim do dia, passeio no bairro Pontocho, situado numa ilha e que parece ser o centro de diversão nocturna. Numa livraria, cheia de livros em segunda mão, comprei The Dying Animal do Philip Roth, em edição de bolso. Baratíssimo.
Dia 26
Passámos a noite num «ryokan», uma espécie de pensão tradicional, que se revelou uma experiência inesquecível.
O recepcionista não falava uma palavra de inglês, mas parecia perceber o que dizíamos. Por isso, lá nos indicou, por escrito, o preço, que era mais ou menos o mesmo que pagávamos no Toyoko-Inn, cerca de 50 euros por noite. Quando lhe perguntámos se podíamos ver o quarto, estendeu-nos uma folha impressa onde se dizia mais ou menos isto: «No Japão é falta de educação pedir para ver os quartos». Tive que me conter para não desatar a rir. Depois, quando acedemos em pagar o preço, estendeu-nos uma outra folha que explicava que tínhamos forçosamente que deixar o quarto até às 11 da manhã e que não poderíamos regressar antes das quatro da tarde.
O quarto não era muito maior do que o do Toyoko Inn e em vez de mobiliário tinha apenas uma mesa baixa no centro e duas almofadas. A um canto estavam dois edredons enrolados que supus imediatamente serem as camas. Em cima da mesa, uma chaleira e duas chávenas. Também a casa de banho era minimal, mas tudo muito asseado e acolhedor.
Logo à noite vamos para Tóquio. Pensámos ir no comboio bala, mas era demasiado caro. Optámos por isso por um autocarro nocturno. Os bancos são reclináveis e poderemos dormir.
Dia 27
O autocarro era confortável, com efeito. Como fomos os primeiros a reservar os bilhetes, ficámos com o melhor lugar, lá em cima no primeiro andar, mesmo em frente à janela, com vista panorâmica. Os assentos transformam-se em camas, e há cobertores, almofadas e até roupões e chinelos para quem quiser. Dorme-se lá melhor do que no avião.
De manhã chovia. Os sinais na estrada são por vezes iluminados e animados. Por todo o lado vi enormes recintos para treinar golf e «hotéis do amor», sempre muito chamativos, com esculturas sugestivas nos telhados e nas empenas e grandes néons apelativos. É o que há mais ao longo do caminho. Pelo menos, assim me pareceu.
Em Tóquio fomos para outro Toyoko Inn, infelizmente um tanto descentrado porque os outros estavam todos cheios. Mas como há metro quase à porta, não nos importámos muito.
Não foi, no entanto, muito fácil dar com o hotel. Tinhamos a morada mas ninguém parecia conhecer a rua. A folha que imprimiramos da Internet dizia que ficava a 500 metros do metro. Já um pouco desesperados, abordámos um polícia que nos apontou uma direcção. Mas não víamos Toyoko Inn em lado nenhum. Por fim, um rapaz que percebeu o nosso desespero, abordou-nos num inglês quase perfeito. Tinha vivido nos Estados Unidos e estava gora de regresso a casa. Com a sua ajuda foi fácil encontrar o hotel. Era ali perto, mas numa rua secundária que ainda não tínhamos percorrido.
Segundo a Wickipédia, a região metropolitana de Tóquio é uma das maiores concentrações urbanas do mundo, com cerca de 30 milhões de habitantes. Em japonês, Tóquio quer dizer «capital do Leste».
O mapa do Metro é impressionante. Uma teia densíssima de linhas coloridas que cobrem toda a superfícia da cidade. Se bem percebi, há duas linhas distintas, que se completam. Cada linha tem uma cor, cada estação um número. Os mapas são muito claros e é facílimo uma pessoa orientar-se. Não temos tido a menor dificuldade nesse aspecto.
O nosso primeiro passeio foi até ao principal templo no centro da cidade, o Senso-ji, também conhecido como Asakusa Kannon. É um dos mais importantes ícones da capital japonesa, com suas lanternas enormes decoradas e o portão laqueado de vermelho na entrada sul. Fundado no século XVII em homenagem a Kannon, a deusa da Piedade, o templo (budista) tem seus portões guardados pelos deuses Raijin, deus do Trovão, e Fujin, deus do Vento. À volta do templo há dezenas, ou mesmo centenas de lojas para turistas, mas desde que chegámos ao Japão, quase não temos visto estrangeiros.
À tarde fomos para Shinjuku. Aí, numa daquelas lojas enormes com equipamentos electrónicos comprei uma nova máquina fotográfica, uma Nikon D200. Não resisti, tanto mais que custa quase metade do que custa na Europa.
Shinjuku é impressionante, com os seus arranha-céus cobertos por néons. O comércio não se limita ao rés-do-chão. Cada andar abriga vários negócios: restaurantes, bares, lojas de roupa, tudo o que se possa imaginar. E, claro, há casas de pachinko por todo o lado.
O pachinko é o jogo nacional. Está por todo o lado e sempre cheio de gente. O pachinko é uma máquina de jogo entre o flipper e a slot-machine, que se joga com berlindes metálicos. É preciso ver para crer. Cada jogador tem aos pés, caixas de plástico cheias de esferas de metal com que vai alimentando a máquina. Impossível perceber como se joga, mas é hipnótico. As máquinas são muito coloridas e piscam emitindo sons maviosos. Tanto quanto sei, tudo o que se ganha são mais esferas de metal que, no final, podes trocar por prendas, pois os prémios em dinheiro estão proibidos.
Para jantar fomos espreitar a «Piss alley», depois de termos passeado por Kabukicho, o «red light district» local. Como o nome indica a «piss alley», cujo verdadeiro nome é shomben yokocho, é uma ruela estreita e mal iluminada (mas não cheira mal). Não fica muito longe da impressionante estação de Shinjuku e abriga dezenas de pequenos bares e restaurantes (a maioria deles não leva mais do que uma dezena de clientes de cada vez) onde se come ao balcão, petiscos deliciosos (mas caros), quase invariavelmente acompanhados por saké. Deliciámo-nos.
Dia 28
A Nikon D200 teve um baptismo de fogo em beleza. De manhã, apanhámos uma festa, com um mercado de rua cheio de arraquinhas de comida. Logo a seguir, deparámos com uma procissão que envolveu alguns milhares de pessoas durante toda a manhã. À tarde, fomos para Harajuku fotografar as celebérrimas «lolitas góticas». Tirei várias centenas de fotografias ao longo do dia, de tal modo que este 28 de Maio de 2006 deve ser a data mais bem documentada de toda a minha vida.
No mercado, deparámos com um sujeito que fazia chupa-chupas com forma de animais – cães, cavalos, cisnes – de uma perfeição espantosa. Num minuto, ou pouco mais, realizava miniaturas que eram imadiatamente devoradas por crianças gulosas. Difícil imaginar objectos artísticos mais comoventes e efémeros do que estes.
Durante a procissão, um dos participantes despiu, de repente, a sua veste tradicional e estendeu-ma, dando-me a entender que gostaria de me ver a substitui-lo durante algum tempo. Assim fiz. Enquanto me fotografava, a Raquel ria a bandeiras despregadas, mas para mim não foi uma experiência muito agradável. O andor era pesadíssimo, eu estava comprimido entre dois outros carregadores suados e a cada passo a trave de madeira esmagava-me um pouco mais o ombro, tanto mais que o avanço se fazia de forma sincopada. Fiquei aliviado quando o sujeito me veio render.
Em Harajuku, mal saímos da estação deparei com uma das tais lolitas góticas. Parecia efectivamente uma boneca de porcelana do tempo da minha bisavó. Cá fora, ocupando toda a ponte que conduz ao parque, e também nas imediações, estavam algumas dezenas de jovens com visuais tão ou mais espectaculares. Umas mais punk, outras mais futuristas, mas todas super-fotogénicas. Algumas pareciam mulheres fatais, outras crianças como só se vêem na banda desenhada. Pelo meio havia rapazes que se faziam passar por raparigas e raparigas que queriam parecer rapazes. Nalguns casos era muito difícil perceber qual o sexo da pessoa que estava a fotografar.
Não há maneira de descrever a fantasia daquela gente, nem os objectos de que se servem em profusão para se afirmar. No conjunto revelam uma imaginação delirante. Era como estar num palco enorme, rodeado de personagens pertencentes a vários filmes diferentes, cada um mais improvável do que o outro.
Dia 29
Esta manhã, acordámos cedíssimo para ir visitar o «Tsukiji fish market», o maior mercado de peixe e marisco do mundo. Impressionante e gigantesco, com efeito. Nunca tinha visto nada parecido. Vi peixes loucos e outros seres ainda mais estranhos que nem sabia que existiam. Fiquei muito impressionado por uns mexilhões maiores que a minha mão, por exemplo. Mas os nossos planos para ir comer o famoso sushi numa das tascas do mercado caiu por terra, pois havia bichas enormes à porta dos restaurantes e teríamos que ali ficar horas à espera de vez.
À tarde, embarcámos num barco que nos permitiu ter outra prespectiva da cidade e que nos deixou num parque lindíssimo. Decididamente, o que faltam aqui são parques. Que inveja!
Dia 30
De manhã, Museu da Fotografia e arredores. Arquitectura moderna e yuppies por todo o lado.
À tarde, visitámos os cenários do Lost in Translation. Ou melhor, o hotel onde estavam hospedados o Bill Murray e a Scarlet Johansson.
O local é magnífico e pudemos percorrê-lo sem que ninguém nos incomodasse. Depois ainda subimos ao cimo de um arranha-céus para observar a cidade lá de cima.
Pelo caminho, vi vários sem-abrigo, o que me deixou incrédulo. Numa sociedade destas, onde tudo parece tão civilizado e bem regulado, não se imagina que possa haver gente a dormir ao relento. É verdade que alguns tinham tendas de campismo, e que estavam confinados a um parque, mas mesmo assim...
Dia 31
Há vários cemitérios em Tóquio. Fomos à procura de um dos principais e deu para perceber que a noção de cemitério aqui é muito diferente da nossa. São parques enormes, tentaculares, com ramificações dentro de jardins particulares. Na verdade, há campas por todo o lado, até nos pátios de alguns condomínios privados. Aqui, vivos e mortos convivem em harmonia. Os mortos zelam pelos vivos, emprestam a sua paz à cidade.
Nas páginas dedicadas aos restaurantes da área, vimos que havia um instalado num Chalet suiço. Quisemos ir ver e nem queríamos acreditar nos nossos olhos. Tanto fora como dentro do chalet a ilusão é perfeita. Trata-se de uma réplica exacta onde a única coisa que destoa são as caras das pessoas (clientes e funcionários). De resto, parece que estamos na Austria, até a comida é igual.
1 de Junho
Para o último dia em Tóquio, voltámos a Harajuku, pois não tínhamos visto o templo, e havia uma grande parte do bairro por onde não tínhamos passado. Mais uma vez, vi várias fotos da Audrey Hepburn, em montras ou em cartazes. Parece haver aqui um culto desta actriz. Talvez ela represente, aos olhos dos japoneses, o protótipo da beleza ocidental. Mais uma prova do seu bom gosto estético.
Dia 2
Osaka! Situada na região de Kansai, Osaka é terceira maior cidade japonesa. O castelo da cidade (na foto) é um dos mais famosos do país e foi aí que nos dirigimos em primeiro lugar. Está no interior de um parque murado e o edifício central tem oito andares. A sua origem remonta ao século XVI e o último restauro data de 1995. O interior abriga um museu. Do último andar pode ver-se o centro da cidade. A vista é magnífica.
De regresso ao centro, fomos descansar para um café (os nossos pés têm sofrido muito nos últimos dias). Na sala, estavam duas jovens a dormir a sono solto. E ninguém lhes chamou a atenção, aqui parece ser uma coisa natural. De resto, também no metro, há sempre gente a dormir.
A esmagadora parte das pessoas que andam de metro fazem uma destas três coisas: ou dormem, ou estão às voltas com o telemóvel (jogando ou navegando na Net) ou lêem, livros de bolso invariavelmente forrados a papel. Para proteger os livros ou para que não se perceba o que estão a ler?
Quando estávamos no café, reparámos que na rua em frente havia uma bicha para uma espécie de quiosque. Cada pessoa que era atendida era substituida por outra, de forma que a fila parecia ter sempre, mais ou menos, o mesmo tamanho. Isso despertou-me a curiosidade e quando saímos do café fomos espreitar. Estavam a vender o que nos pareceu ser um bolo. Toda a gente levava dois ou três e, naturalmente, quisemos provar também. Quando estávamos na bicha, uma menina veio oferecer-nos uma fatia. Era uma espécie de pão de ló delicioso, muito fofinho que sabia subtilmente a cheese-cake. Comprámos dois bolos e posso jurar que foi o melhor pão de ló que comemos na vida.
Um provérbio japonês diz que o Japão é como um ser humano cuja cabeça seria Tóquio, o estômago Osaka e o coração Tóquio. Precisamente as três cidades que visitámos. Coincidência feliz.
Dia 3
De regresso ao Dubai, possso afirmar sem hesitação: as duas viagens que mais gostei até hoje foram à Índia e ao Japão! Como dizia Fernando Pessoa: «Hei de ser quem vai chegar, para ser quem quer partir».