Como dizia Rimbaud, a eternidade é feita de sol e mar. Não era bem isto que ele dizia, mas mesmo assim: se a eternidade existe é esta história de amor entre o sol e o mar.
Aqui estou eu, portanto, feliz de me sentir feliz, tão contente que só consigo escrever disparates. Pessoa dizia que todas as cartas de amor são ridículas. Pois bem, também os textos de viagem o podem ser pelos vistos.
Azul, o mar também pode ser verde, ou prateado, ou mesmo não ter cor. Hoje vi um mar tão transparente que parecia água da torneira.
Onde quer que vás, a montanha, coberta por uma floresta densíssima – variada e selvagem – parece um ser vivo, um gigante petrificado. Um monstro benevolente em cuja carne excrecências verdes irrompem constantemente. São milhões de línguas verdes sequiosas, à procura do sol. De resto, chove copiosamente.
Mil formas, uma única força.
O sol e a chuva parecem envolvidos numa competição sem quartel. Vem a chuva e molha-nos, vem o sol e seca-nos, até que a chuva volte de novo e assim sucessivamente.





Seychelles, 2006